Quase três semanas após ser presa, Deolane Bezerra estaria enfrentando problemas de saúde dentro da cadeia e não estaria se alimentando.

A jornalista Patrícia Calderon contou, no Além da notícia, que a defesa da advogada e influenciadora teve crise de pânico, já diagnosticada anteriormente; problema de pressão e deixou de comer.

De acordo com o relatório apresentado pelos representantes legais da ex-Fazenda, o motivo da recusa seria que a comida e a água oferecidas no local não têm “condições para o consumo humano”.

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Habeas corpus será julgado

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve julgar, nesta terça-feira (9/6), um novo pedido de liberdade apresentado pela advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O julgamento acontece após a presidência da Corte negar um habeas corpus impetrado pela defesa, alegando que um pedido semelhante apresentado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ainda não havia sido apreciado. O novo recurso é para que o HC seja apreciado também no STJ.

A pauta da sessão ordinária desta terça prevê a sustentação do advogado de Deolane, Aury Celso Lima Lopes Junior, e do promotor Arthur Pinto de Lemos Junior, que também falará no âmbito do recurso.

A prisão

A prisão de Deolane ocorreu em 21 de maio, em uma operação da Polícia Civil de São Paulo, em parceria como o Ministério Público do estado.

De acordo com as investigações, a influenciadora tinha vínculo com familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e utilizava seu prestígio público para dissimular lucros obtidos pelo PCC por meio do tráfico de drogas. Ela movimentou R$ 13,6 milhões entre 2018 e 2022 em suas contas pessoais, enquanto outros R$ 14 milhões passaram por três de suas empresas.

Os advogados de Deolane argumentam ao STJ que o caso não se enquadra nos requisitos legais para uma prisão preventiva. Eles alegam que não haveria risco concreto à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal e que as provas reunidas já estão sob poder das autoridades.

Primeira derrota

Ao negar o pedido de habeas corpus, em 28 de maio, o presidente da Corte, Herman Benjamin, afirmou que seria necessário aguardar a decisão sobre o recurso apresentado no TSJP antes de avaliar o caso no STJ, já que não “excepcionalidade”.

“No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem”, afirmou o ministro.

Relação entre Deolane e operador do PCC

A polícia chegou a Deolane por meio de Everton de Souza, conhecido pelos codinomes “Player” ou “Temer”. Ele é identificado nas investigações como um intermediador e operador financeiro da alta cúpula do PCC, que atuaria na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.

O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central na investigação, e foi imprescindível para comprovar a participação da advogada na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção, segundo a polícia.

Mais detalhes

Everton atuava como gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada criada a pedido de Marcola e Alejando, da qual recebeu R$ 28,7 mil em transferências bancárias.

Ele orientava o sócio-administrador da companhia a realizar depósitos em contas de Deolane. Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou “balancete” da facção, e não tinham origem justificada, apontou a investigação.

No celular do sócio-administrador, em uma operação de 2021, a polícia encontrou comprovantes de transferências bancárias diretamente para Deolane. Os valores, enviados entre agosto e outubro de 2020, totalizam R$ 24,5 mil. A defesa da influenciadora afirma que o montante foi pago pela prestação de serviços advocatícios.

Valores nas contas de Deolane

Nas contas dela, os investigadores identificaram, ainda, a entrada de mais de R$ 1 milhão, em depósitos em espécie, entre 2018 e 2021, sem origem identificada. A defesa atesta que o valor também se refere ao trabalho como advogada.

Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima. A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais.

Segundo a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre os dois, com a presença de Everton em eventos familiares da advogada.

Fonte: Metrópoles